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sexta-feira, novembro 02, 2012

A INDISCIPLINA NO CONTEXTO ESCOLAR: Intervenção Psicopedagógica

Por: Inêz Maria Kwiecinski Teles de Souza
O Estágio Institucional Orientado foi realizado em uma escola da Rede Pública do Município de Alvorada. Esta etapa, com carga horária de 30 horas, teve início no dia 02 de abril e terminou no dia 16 de abril de 2012, com carga horária semanal de 3 horas, distribuídas da seguinte forma: visita à escola, elaboração do cronograma de visitas junto à vice-direção - 03 horas; observação das dependências da escola e do funcionamento da mesma - 03 horas; observação dos alunos em sala de aula e do recreio da turma - 03 horas; levantamento estatístico do percentual de alunos da turma que apresentam notas inferiores à média adotada pela instituição - 03 horas; Observação em sala de aula, levantamento das queixas com a professora regente - 03 horas; Aplicação de testes (E.O.C.M.E.A.), e Par Educativo - 03 horas; análise dos resultados do E.O.C.M.E.A e Par Educativo, levantamento de dados do local na secretária – 03 horas;  entrevista com os demais professores e com a orientadora da escola - 03 horas; análise das observações e dos dados coletados - 03 horas; Devolução para a escola – Informe Psicopedagógico – Apresentação do diagnóstico, instrumentos de pesquisa utilizados e indicações, encaminhamentos e prognóstico – 04 horas.

Este relatório é composto da descrição das atividades, das observações e das experiências vivenciadas no período do estágio que se baseou nas teorias de Piaget, Visca, Pain, Bossa e Fernandéz, dentre outros.

Em anexo, encontram-se as fichas do estágio, descrições dos testes e cópias das atividades aplicadas aos aprendentes.

As atividades práticas envolvendo os conhecimentos adquiridos oportuniza aos estagiários o contato com o ambiente de trabalho, consciência da importância do trabalho desenvolvido, interação com novas pessoas e possibilidade de entrar no mercado de trabalho já com boas indicações.

REGISTRO DA QUEIXA

A Escola Municipal de Ensino Fundamental onde o trabalho foi realizado recebe alunos de baixa renda familiar, onde em sua maioria percebe-se a extrema pobreza. Os alunos de uma turma do 4º ano são atendidos por uma professora titular e mais duas que ministram aulas de Educação Física e Recreação, atualmente a turma é composta por 28 alunos, 15 meninos e 13 meninas e eles estudam no período da tarde. Não é uma turma muito grande, os alunos com idades variando entre 9 e 12 anos, possuem um vínculo negativo com a aprendizagem, evidenciado na relação com os professores e pelo baixo rendimento nos estudos, levando muitas vezes ao fracasso escolar. Nesta turma temos dois alunos ainda não alfabetizados e outros com sérios problemas de aprendizagem.

A queixa: “Turma indisciplinada e com baixo rendimento escolar”. Durante as observações percebi que na condução das atividades e para a mediação das atitudes, não são estabelecidas regras nem limites, o que faz com que os alunos se tornem dispersos, desatentos, desinteressados e agressivos entre si. Em certos momentos a turma parece demonstrar o desejo de vínculo positivo com a aprendizagem, eles demonstram necessidade de afeto e de um olhar mais direto do professor, a turma anseia por uma liderança, porém não tem uma orientação clara e segura por parte dos professores, desta forma ficam a mercê de lideranças negativas de alguns colegas da classe, tornando-os alvo de rotulações e constantes perturbações.

JUSTIFICATIVA

A escola contemporânea tem se defrontado com diversos dilemas éticos, tais como o roubo, o uso de drogas, a vida sexual precoce, a gravidez na adolescência, e o mais comum e que se destaca na maioria das escolas, a indisciplina.  A sociedade mudou bastante no que diz respeito aos valores morais e os problemas na escola são cada vez mais inéditos.

Talvez um dos grandes desafios de nossos tempos seja a construção dos limites e da ética dentro da escola. A indisciplina na escola tem tirado o sono de muitos gestores escolares, educadores e também de pais.

Para intervir, é preciso compreendê-la e, antes de tudo, defini-la. Para a Psicopedagogia, a indisciplina é um problema que deve ser analisado a partir de como está ocorrendo o processo de ensino aprendizagem destacando-se os aspectos cognitivos, afetivos, morais, sociais e psicológicos, além dos físicos nos quais também se inclui o espaço escolar. Desta forma, é necessário analisar o problema, a partir dos vários fatores que se relacionam com a aprendizagem.

A partir dessa reflexão e das observações realizadas na escola surge à necessidade de se elaborar um projeto junto com os professores e com a turma que resgate o prazer de ensinar e de aprender, bem como se possibilite a construção de regras de convivência que visem solucionar os problemas indisciplinares.

 OBJETIVOS

Objetivos gerais:

Capacitar os professores através da Intervenção Psicopedagógica a obter melhores resultados no rendimento escolar dos educandos, explorando a capacidade de ensinar dos professores e a de aprender dos alunos.

Intervir psicopedagogicamente para resgatar o vínculo afetivo entre aprendentes e ensinantes, amenizando toda e qualquer forma de indisciplina dentro e fora da sala de aula.

Objetivos específicos:

Identificar no funcionamento da escola as configurações relacionais que podem estar obstaculizando o processo de ensinar e aprender;

Explorar com os professores teoricamente o processo do desenvolvimento integral dos seus alunos e as causas da indisciplina;

Explorar com os professores e alunos novas metodologias de trabalho que possibilitem a construção do conhecimento e a construção das regras de convivência;

PÚBLICO ALVO


Os alunos de uma turma do 4º ano, de uma escola EMEF de Alvorada, seus respectivos professores e toda a equipe diretiva da escola.

METODOLOGIA/OPERACIONALIZAÇÃO

A metodologia a ser adotada para concretização desse estudo consistirá basicamente na observação, análise documental, pesquisa e revisão bibliográfica, bem como pesquisa de campo, tendo em vista que serão realizados questionamentos a respeito dos métodos empregados pelos professores para realizar sua prática docente.

Assim, para uma prática educativa eficaz é importante preparar os alunos para saberem lidar com diferentes tipos de liberdade, pela qual estão inerentes restrições fundamentais para que não seja comprometida a liberdade de outros. Para o efeito é necessário à definição de regras que contribuam para elucidar os alunos dos seus limites comportamentais, bem como para desencadear um sentido de dever a que é designado de disciplina. É através desta que os alunos desenvolvem a curto, médio e a longo prazo, a formação do carácter ao nível “intelectual, social, cívico e moral” (Campos, 1989, citado por Picado, 2009, p. 3).

Alguns estudos consideram a indisciplina em sala de aula como decorrente do enfraquecimento do vínculo entre moralidade e sentimento de vergonha, e este enfraquecimento explica diversos comportamentos dos alunos considerados indisciplinados. O autor cita um exemplo do aluno não sentir vergonha de suas balbúrdias, pois não vê no respeito ao outro um valor a ser reverenciado. E chama a atenção para o lugar que a escola ocupa hoje na sociedade, para a criança e para a moral. La Taille (1996) propõe que se deve reforçar na criança o sentimento de sua dignidade como ser moral e prepará-la para o exercício da cidadania.

Em entrevista a uma revista, esse autor aborda que: Em primeiro lugar, se o aluno não respeita normas, provavelmente essas normas não fazem sentido para ele. Para que elas façam sentido, elas têm de estar relacionadas a um projeto de vida. Se temos uma pessoa violenta e tentamos resolver o problema falando em paz, continuamos agindo no sentido normativo. A melhor maneira para fazer com que uma pessoa deixe de ser violenta é entender o significado que a violência tem para ela, e não desfiar um discurso.

De acordo com Serra (2009), faz-se necessário, também, que a escola tenha seus limites e códigos de conduta bastante claros, deixando evidentes, também, as suas formas de sanção, ou seja, como trata cada situação de indisciplina.

Piaget (1994), afirma que a noção de justiça e como esta se desenvolve resulta diretamente de determinados tipos de relações familiares, sociais e religiosas. A noção de justiça, segundo ele, resulta diretamente da cooperação e o sentimento de justiça desenvolve-se através do respeito mútuo e da solidariedade entre crianças. Autores como Kolberg (citado por MENIN, 1996) compartilharam esta ideia através de uma pesquisa sobre o raciocínio moral em adolescentes, concordando com Piaget quanto à importância da cooperação para a construção de uma moralidade mais autônoma. A pesquisa feita por Menin tem o objetivo de demonstrar que as escolas atuais, com frequência, constroem uma moral mais heterônoma do que autônoma, pois as regras impostas pelos professores nas escolas seguem um sistema arbitrário de punição e recompensa, que não são reexaminadas pelos alunos para que estes possam compreender seus significados racionais e sociais. Araújo destaca que um ambiente escolar democrático ou de cooperação não assegura a ação moral de quem o vivencia, porque nada garante que uma pessoa que possua um juízo moral autônomo venha a se comportar de acordo com este juízo.

Fica claro que métodos e metodologias eficazes precisam ser desenvolvidos o quanto antes para que o objetivo seja de fato alcançado. O ato da indisciplina não é tão fácil de controlar e muito menos combater, pois o número de professores qualificados, infelizmente ainda é pouco.

A escola precisa cada dia mais criar subsídios que amenizem o problema, a função da escola, que é promover a aprendizagem e isso em muitos casos tem deixado a desejar.

A indisciplina e consequentemente a falta de aprendizagem pode está relacionada com três elementos que são importantes na efetivação da aprendizagem. Estes fatores influenciam de forma negativa (se forem mal estabelecidos) ou positiva (se forem bem trabalhados) no ensino e aprendizagem: os problemas familiares; os da própria criança e os relativos à escola.

Neste sentido, é necessário que os educadores revejam suas práticas de ensino, utilizando-se do lúdico em sala de aula tornando assim suas aulas mais interessantes resgatando no aluno o interesse pelo aprendizado.

Reorganizar o currículo por projetos, em vez das tradicionais disciplinas. Essa é a principal proposta do educador espanhol Fernando Hernández. Ele se baseia nas ideias de John Dewey (1859-1952), filósofo e pedagogo norte-americano que defendia a relação da vida com a sociedade, dos meios com os fins e da teoria com a prática. Hernández põe em xeque a forma atual de ensinar.

O modelo propõe que o docente abandone o papel de “transmissor de conteúdos” para se transformar num pesquisador. O aluno, por sua vez, passa de receptor passivo a sujeito do processo. É importante entender que não há um método a seguir, mas uma série de condições a respeitar. O primeiro passo é determinar um assunto – a escolha pode ser feita partindo de uma sugestão do professor ou da turma. Todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto.

Cabe ao educador saber aonde quer chegar. Estabelecer um objetivo e exigir que as metas sejam cumpridas é papel do professor. Por isso, Hernández alerta que não basta o tema ser “do gosto” dos alunos, ele precisa despertar a curiosidade por novos conhecimentos, por isso, uma etapa importante é a de levantamento de dúvidas e definição de objetivos de aprendizagem.

O projeto avança à medida que as perguntas são respondidas e o ideal é fazer anotações para comparar erros e acertos – isso vale para alunos e professores porque facilita a tomada de decisões. Todo o trabalho deve estar alicerçado nos conteúdos pré-definidos pela escola e pode (ou não) ser interdisciplinar. Antes, se faz necessário que se defina os problemas a resolver. Depois, escolher a(s) disciplina(s). Nunca o inverso. A conclusão pode ser uma exposição, um relatório ou qualquer outra forma de expressão.

Segundo Hernandez (1998) é importante ainda frisar que há muitas maneiras de garantir a aprendizagem. Os projetos são apenas uma delas. É bom e é necessário que os estudantes tenham aulas expositivas, participem de seminários, trabalhem em grupos e individualmente, ou seja, estudem em diferentes situações.

Além desta sugestão da pedagogia por projetos, há outras opções, outras ideias que se forem postas em prática contribuirão muito para a aprendizagem significativa dos alunos, além de auxiliar no combate a indisciplina em sala de aula.

Destaca-se a necessidade de:

Capacitar os professores através de revisão de seus métodos de ensino a fim de atuarem de maneira mais significativa, resgatando assim, a motivação dos alunos pelo estudo e consequentemente o compromisso com o aprender;

Capacitar os professores através de encontros individuais e coletivos a fim de estudar e avaliar materiais de estudo sobre o processo de desenvolvimento integral dos alunos, considerando a faixa etária da turma, além de referencial teórico sobre as questões relativas à indisciplina.

Promover palestras para que os educadores possam colocar suas experiências aos pais e a comunidade, para que estes conheçam que tipo de cidadãos estão sendo formados nas escolas;

Discutir e elaborar juntamente com os educandos um regulamento interno da turma, para que, respeitando-os e fazendo-os respeitar, trabalhem assim, a individualidade dos alunos, fazendo que todos consigam relacionar-se com os outros, e consequentemente superando as dificuldades de relacionamento;

Ofertar oficinas, palestras para trocas de ideias entre pais, alunos e professores, favorecendo assim uma ponte de ligação que dê a ambas as partes o reconhecimento de fatores importantes como valores, ética e respeito;

Conscientizar nos alunos a necessidade e importância de uma relação harmoniosa entre professor-aluno na sala de aula;

RESULTADOS ESPERADOS


Oliveira, apub Freire (2009) define claramente o ambiente escolar, para ele, “Escola é”... o lugar onde se faz amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, horários, conceitos...

Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, gente que estuda, gente que se alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor, na medida em que cada ser se comportar como colega, como amigo. Importantemente na escola não é só estudar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se amarrar nela.

Podemos perceber com a pesquisa bibliográfica, que são várias causas que podem desencadear a indisciplina escolar tais como: a educação familiar e cultural, as frustração, o tipo de prática pedagógica utilizada pela escola, entre outros. Hoje, a comunidade escolar e os professores se queixam muito dos alunos indisciplinados; os alunos não se concentram nos conteúdos e acabam trazendo transtornos em sala de aula. Não se pode culpar somente os alunos pela  indisciplina, tem que buscar o porquê da sua atitude, investigar as causas indisciplinares, em seus vários aspectos.

Espera-se que através da capacitação teórica e prática trabalhada com os professores e a equipe diretiva neste projeto eles possam elaborar junto com os alunos estratégias de ação que possam gradativamente resolver os problemas apresentados na queixa; ou seja, os problemas relativos às dificuldades de comprometimento com o processo de ensino aprendizagem e com as questões referentes à indisciplina em sala de aula. O próprio professor precisa resgatar em seu aluno o prazer de aprender.

RECURSOS

Recursos humanos:
Estagiária, Equipe Diretiva da Escola, Professores e Alunos da turma do 4º ano.

Recursos materiais:
Bibliografia pertinente à capacitação que será feita em relação ao processo de ensino aprendizagem e sobre a indisciplina. Papel sulfite, lápis preto, borracha, canetas, lápis de cor, canetinhas, pincel atômico, papel pardo, cola, tesoura, papel para dobradura, fita adesiva.

Recursos físicos:
Sala de aula, pátio da escola, sala de reunião, laboratório de aprendizagem, sala da equipe diretiva.

Equipamentos:
Máquina fotográfica.

CRONOGRAMA

Será combinada junto à equipe diretiva da escola a disponibilidade de horários para execução do projeto e para organização do cronograma, mas o que seria trabalhado no mesmo está discriminado na metodologia.

AVALIAÇÃO DO PROJETO:

Será realizada por escrito com todas as pessoas que participarem do projeto, as quais irão analisar quais foram às contribuições que ele trouxe para a prática docente.

REFERÊNCIAS:

AFFONSO, Almerindo: Relações de Poder Assimétrico. IN: Motta. A escola e a indisciplina. Ed. Porto 1998.

BALESTRA, Maria Marta Mazaro. A Psicopedagogia em Piaget: uma ponte para a educação da liberdade. Curitiba: IBPEX, 2007.

ESTRELA, Maria Teresa. Relação Pedagógica e indisciplina. IN: Motta. A escola e a indisciplina. Ed. Porto 1998.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 25ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

HERNANDEZ F; VENTURA M. Os Projetos de Trabalho: uma forma de organizar os conhecimentos escolares. IN. HERNANDEZ F. E VENTURA M. A organização do currículo por projetos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

PIAGET, J. O juízo moral na criança. 2. ed. São Paulo: Summus, 1994

PICADO, L. A Indisciplina em Sala de Aula: Uma Abordagem Comportamental e Cognitiva. Acesso em 06 de maio de 2012, de Psicologia: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0484.pdf

PORTO, Olívia. Psicopedagogia Institucional: teoria, prática e assessoramento psicopedagógico. 2ª ed. Rio de Janeiro: Wak: 2007.

TAILE, Yves de La. Limites: três dimensões educacionais. São Paulo: Ática, 2001.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula e na escola. São Paulo: Libertard, 1995.

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