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terça-feira, junho 05, 2012

O Período de Prontidão e os Métodos de Alfabetização

 
* Daniella Magnini Baptista

Sabe-se que a alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. Para que isso ocorra é necessário um período de preparação a que chamamos de prontidão.
A prontidão para a alfabetização compreende o momento de preparo do aluno para iniciar o processo da função simbólica que é a leitura e sua transposição gráfica que é a escrita. Utilizar recursos como os exercícios visomotores e as atividades lúdicas no período de prontidão desperta o interesse do aluno pelo método aplicado e contribui para o desenvolvimento psicomotor.
Ao se aplicar um método se desenvolve um processo e conseqüentemente se caracteriza um recurso para explorar a aquisição da leitura e da escrita com o objetivo de alfabetizar. Podem-se classificar os métodos de alfabetização em dois grandes grupos: Fônico também chamado de Sintético e Global conhecido como Analítico.

MÉTODO FÔNICO (OU SINTÉTICO):
Proposto por Leonard Bloomfield (1887 – 1949) o método fônico é um processo mecânico onde a criança será sempre estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente e consiste em trabalhar letra por letra, isto é, da letra, para a sílaba e da sílaba para a palavra e é composto por cinco processos. São eles:

1. Processo Alfabético ou ABC de Dionísio de Halicarnasso (Séc. XV):
Foi o primeiro processo empregado universalmente na aprendizagem da leitura e já era usado no ano 68 a.C. em Roma e na Grécia Antiga. O aluno aprende primeiro as letras e depois forma as sílabas simples, para mais tarde formar as palavras.
Exemplo: b (bê) + a = ba.

2. Processo Iconográfico de John Amos Comenius (1657):
Nesse processo era proposto o ensino de um alfabeto vivo cujos elementos correspondessem de maneira onomatopaica, isto é, cada letra ao ser apresentada era acompanhada de uma figura de um animal cuja voz se assemelhasse ao som da respectiva letra.
Exemplo: O som da letra M seria representado tendo ao lado a figura de um boi mugindo (MUUU!).

3. Processo de Letras Móveis de Johann Bernard Basedow (1774):
Basedow; influenciado por Rosseau e Comenius; inventou um jogo de letras móveis de várias cores e dimensões que, às vezes, eram comestíveis. As crianças deveriam procurar as letras no meio de outras e desenhá-las e, em seguida, formavam sílabas e palavras que eram depois escritas. Como prêmio, aquelas que eram comestíveis podiam ser comidas.

4. Processo Fônico de Valentin Ickelsammer (Séc. XVI):
Esse processo consiste no ensino da leitura partindo-se do som, unindo primeiramente as vogais e depois as consoantes fazendo depois as junções silábicas.
Exemplo: O vento faz vvvvvvvv, no caminho encontra o “a” e faz va.
Com as sílabas os alunos formavam palavras e frases que eram escritas na lousa como: Vi a vovó, Ivo vê o ovo...

5. Processo Silábico ou Silabação de Heinicke (Séc. XVIII):
Para o pedagogo alemão, a aprendizagem partia da sílaba e não da letra. O aluno nesse processo aprende primeiro as sílabas para depois formar as palavras que constroem o texto. Nesse processo, empregam-se as unidades-chaves: as sílabas que depois se condicionam em palavras e frases. Ensinam-se as vogais que se juntam à gravura do nome.
Exemplos: A letra U com o desenho da uva.
A sílaba ca de casa - ba de bala - ca de caju

MÉTODO GLOBAL (OU ANALÍTICO):
Esse método surgiu apartir do século XVIII e se opunha ao método fônico. Valoriza o ensino da leitura e da escrita segundo a ordem de decomposição progressiva, isto é, de textos, de sentenças e de palavras e é composto por quatro processos. São eles:

1. Processo de Palavração ou de Palavras Normais de Kramer e Vogel (1843):
Nesse processo a aprendizagem parte do todo, com palavras concretas e significativas retiradas de uma história ou de uma conversa. Com isso é apresentado ao aluno o todo e desse todo são retiradas às informações posteriores.

2. Processo Ideovisual Ideográfico ou de Palavras-tipo de Ovide Decroly (1936):
Desenvolvido na Bélgica, tem como preocupação a motivação. É apresentada uma figura e ligada a ela um desenho. Com esse processo a palavração evoluiu para as palavras progressivas valorizando a associação das palavras com as imagens.

3. Processo de Sentenciação de Randovilliers (1768), Nicolas Adam (1787) e Jacotot (1843):
Iniciado na Europa e nos Estados Unidos esse processo só foi difundido no início do século XX onde a eficiência da aprendizagem da leitura ocorria por meio da globalização recebendo influência da Psicologia Experimental, onde o aluno aprende na seguinte ordem: primeiro é apresentada uma frase, depois são destacadas as palavras, as sílabas e por último às letras.

4. Processo do Conto de Margarida Mc Closkey (Século XX):
Nesse processo o professor apresenta um conto que os alunos devem memorizar. Após a reprodução da história, o texto é decomposto em frases, de onde se retiram as palavras, as sílabas e finalmente às letras e os sons. O objetivo no convívio com esse material é fazer com que a criança reconheça as palavras individualmente sempre memorizando.

É importante citar, que o número de alunos alfabetizados pelo método analítico e que não aprenderam a ler e escrever foi e continua sendo crescente e que segundo pesquisas, por apresentar desvantagens o método afeta o interesse do aluno na leitura. Já no método sintético; que apesar das críticas recebidas por ser mais tradicional; apresenta excelentes resultados que se refletem na boa leitura, interpretação, escrita com o domínio de dificuldades ortográficas e na estruturação de um texto sendo com isso o mais recomendado.
Vale lembrar, que o interesse no processo alfabetizador varia de criança para criança, pois depende muito dos estímulos externos recebidos e da maturação intrínseca de cada criança. Algumas vezes pode-se encontrar um foco de interesse parcial aos seis anos ou mesmo um modo acelerado aos quatro anos.
Já que a alfabetização promove a socialização, nada melhor do que valorizar as habilidades sociais na fase pré-escolar e perceber manifestações de dificuldades que afetam a aprendizagem. Adequar o método a realidade do aluno valorizando a participação e a contribuição pessoal e coletiva tornam o período de prontidão um estímulo a mais no processo de alfabetização. É necessário salientar que após o período de prontidão (educação infantil), a alfabetização formal propriamente dita se fixa no primeiro e segundo anos (ensino básico) e a partir daí o aluno já é considerado leitor e tem início a interpretação de textos que parte deste pressuposto.  



Fonte:  http://www.olharpedagogico.com